sexta-feira, 18 de março de 2022

E se as mulheres deixassem os homens mudar?


"Ao lembrar-me dos meus sonhos de miúdo não me recordo de estarem lá as funções paternas de embalar meus filhos no colo; trocar-lhes as fraldas; fazer-lhes as lancheiras da escola; estudar; maquilhar para “O dia das bruxas”; fazer parte do “grupo de mães da ginástica da filha”. Não eram esses meus sonhos para minha vida adulta. Mas como poderia ter esse desejo se não tinha conhecimento que isso era possível! 

Hoje é. Eu sei. Eu vivo isso. Por opção sou o pai mais mãe que eu conheço! Sou sim senhor o pai fora da caixa. 

Perguntam-me: Onde aprendeu a ser pai? Não há escola. Como nunca houve para as mães. 

Há a predisposição. Vontade. Jeito... Vocação eu diria. 

Desde o nascimento do Henrique, meu filho mais velho, sinto isso. Sou um pai umbilical. Não engravidei mas, ser pai transcende os modos e padrões do senso comum de ser pai. 

Não sou pai de fim-de-semana; nem aquele pai-amigo! Eu sou PAI.

Pai que alimenta. Que sabe dos horários. Dos testes, das matérias, dos amigos da escola... sou o pai que vive a paternidade na sua plenitude. (Frase de mulher!)

Pois bem. Sou esse pai. Um pai pleno. Escolhi isso.

Vamos deixar padrões e formas para trás. Vamos assumir nossas vocações nos novos conjuntos e intersecções dos núcleos familiares modernos. 

O mais importante que não sou mais nem menos que a mãe dos meus filhos. Não há disputa. Há consenso.

Respeitamo-nos e entendemos que cada um de nós tem uma presença e um papel no processo de vida deles. Se estou mais presente, se vivo a intensidade do dia a dia com meus filhos, se me dispus a trabalhar de outra forma para poder estar mais perto deles, a escolha é minha. E eu escolhi a paternidade. Minha missão de vida. Sou homem, hetero, cheio de vida e dono de casa. De avental, esfregão na mão, livros e histórias... mostrando aos meus filhos, Henrique, Sebastião e Margarida que a vida é um livro com vários capítulos. Podemos escrever e desenhar da forma que nos apetecer.

E hoje posso dizer que sonho um dia embalar os meus netos e netas no colo, trocar-lhe as fraldas!!... farei tudo de novo!! Serei um Pai Avô!!”

Saúde Maternal


Não me comparo à mãe, à mulher, muito menos ao caos hormonal que vocês mulheres vivem durante e depois da maternidade. Mas soube viver e respeitar os três momentos da mãe dos meus maravilhosos filhos. E, posso lhes garantir: não foram fáceis para ela.

O meu trabalho na altura foi tornar o dela menos denso. Menos traumático. Por mais que estávamos, os dois, embriagados de amor e vida pelo nosso primeiro filho, confesso que sei que, para vocês mulheres é infinitamente mais pesado. Vosso corpo. Vossas hormonas. Vossos seios... vosso parto. Um momento que tem de tudo menos de beleza única! Há uma bilateralidade: É violento, não digam o contrário, ver um ser cheio de vernix e sangue nascer do ventre de quem mais amamos não tem nada de bonito! Mas é maravilhoso ver nascer o fruto do amor que tanto ansiamos e para o qual nunca estamos preparados!

Mulheres! Amo-vos! Que seres iluminados para aguentarem e resistirem às dores de um parto. E nós, papás... sejamos menos egoistas e mais femininos ao ponto de ouvi-las e entendê-las que o choro, a reclamação, o desconforto, a falta de libido e todo o vulcão de serem mulheres! Eu passei por isso, cheguei um dia a casa e tinha o meu segundo rapaz a berrar num quarto e a mãe a chorar no outro…

Bom poder viver tudo isso. Na intensidade da montanha russa que são os 6 primeiros meses de um bebé.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

FIQUEI SEM CHÃO

Fiquei sem chão 
Caí
Não quis chorar!
Quis ser forte 
Não aguentei! Chorei! Muito!
Levantei-me! Mas o chão não estava lá para me suster as pernas!
Sorri! Tentei sorrir!
Vá lá! Um sorriso! Um dia!
Uma gargalhada perdida!
Mas ainda chorava! 
Cada vez menos! Verdade!
Mas a verdadeira verdade é que ainda estou a levantar-me!
Aquele chão que outrora me deixava caído, lentamente me vai sustendo!
O coração
A alma
O sorriso! Esse mesmo sorriso que me alegra todos os dias!
Que tenta alegrar quem amo!
Vá lá! Um sorriso! Todos os dias!
Sorrio 
Tento andar! 
Ando
Percorro todos os momentos que passei! Quase choro!
Choro! Não vale a pena suster!
Já não caio!
Tropeço aqui e ali!
Mas não caio! Não quero cair! 
Ando! Passo a passo!
Quase que consigo voltar a correr!
Corro!
Corro! 
Paro e olho para trás! 
O passado foi lá atrás como alguém disse um dia!
Agora corro e sorrio! 
Sorrio e corro!
-
Nuno - 25’JAN’2019

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

CENTROS COMERCIAIS E BICHOS MAUS

O nome não é muito sugestivo mas se lhe chamei a atenção fico contente.

 

Os homens não foram feitos para irem aos centros comerciais e as mulheres não foram feitas para colocar a louça na máquina!! 

 

Não foram!!

 

Nós, homens, não temos capacidade de estar horas dentro de lojas a decidir o que escolher e experimentar o que escolheram. Somos muito básicos neste. Quando queremos algo, entramos na loja, escolhemos e saímos.

 

As mulheres pelo contrário, gostam de entrar em cada loja, demorar o seu tempo a escolher, experimentar, pensar, decidir e comprar... E têm a capacidade espantosa de repetir isto várias vezes sem se cansarem.

 

Façam o seguinte exercício da próxima vez que forem ao centro comercial: vejam quantos homens estão à porta das lojas, seja a olhar para o infinito seja, e hoje em dia é cada vez mais comum, a mexerem o telemóvel.

 

Se calhar ficarão surpreendidas!

 

Não é de todo uma critica, aliás, por isso é que referi os dois lados da “barricada”. Nós somos incapazes de ter a paciência para tal jornada!

 

Eu confesso que já não fico fora da loja! Com o tempo aprendi que é importante estar junto dela, mesmo que seja pelo motivo mais fútil: por vezes é apenas ver e não comprar.

 

Máquina da louça!

 

Esse bicho mau para as mulheres. Do que já ouvi de amigos meus, elas não gostam mesmo daquele aparelho! Não sei muito bem porquê.... as divisórias estão lá mas mesmo assim encontro algumas vezes copos virados para cima, tudo desorganizado.

 

A minha mulher diz mesmo! “Não fui feita para colocar a louça na máquina!”

 

Daí ter sido estipulado lá em casa que quem coloca e tira a louça da máquina sou eu!!

 

Agora lembrei-me de outro bicho mau mas para os homens! A máquina da roupa!!

 

Até vem com livro de instruções mas quantas vezes já não se depararam com o dilema “onde é que coloco o detergente?”, “e o amaciador?”. Até porque na maioria das vezes o livro desapareceu ou não há paciência para ver qual o programa adequado..

 

Tenho que confessar, e por favor não digam nada à minha mulher, que por diversas vezes, se não mesmo todas, já coloquei detergente em todas os compartimentos de detergente da máquina. Assim tenho a certeza que a roupa fica toda lavada.... E em algumas vezes usei o programa errado...

 

Fica só entre nós pode ser? ;)


Lisboa, 27 de Novembro de 2014

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

SAUDADES DE SER JOVEM, DE SER INVENCÍVEL

Uma vez que estamos numa crónica de Supa Pai hoje falo das crianças a maior fonte de inspiração, energia e alegria que conheço..

 

Os meus filhos começaram este ano o Rugby, e ao olhar para eles a treinar, mais vez foram fonte de inspiração. Neste caso posso dizer que a transpiração foi inspiração....

 

Sempre gostei desta modalidade, mas nunca a pratiquei, apesar dos apelos de um tio meu, que sempre me disse que tinha a energia e porte atlético para tal. No entanto foi pelo andebol (desporto que o meu pai tão bem jogou) que me apaixonei durante mais de 20 anos.

 

Ao assistir aos treinos dos meus filhos, deu-me saudades de treinar, de ter esta energia quase inesgotável, de sentir até que era invencível. Eu sentia isso, e ainda hoje acho que dos 10 aos 25-30 anos era invencível! Nada me metia medo, me fazia parar..

 

A liberdade da adolescência, as primeiras saídas à noite, as férias, os amores de verão, os primeiros beijos, a primeira vez de tanta coisa, de SER JOVEM! Tenho saudades de ser jovem. Quem não tem?

 

E estas saudades terão tendência para aumentar, uma vez que a cada ano que passa quero sempre continuar a fazer o que sempre fiz! Desporto, subir escadas de dois em dois degraus, atirar os filhos ao ar (.....bem isto se calhar um dia terá mesmo de acabar...), transportar o maior número de sacos de compras do carro  para reduzir o número de viagens, etc....

 

Irei agora assistir, ainda que de longe à primeira de muitas coisas que irão acontecer aos meus filhos. E tenho sorte! Pois tenho 2 rapazes e 1 rapariga, o que me dará visão dos dois lados da barricada.

 

Mas o que mais me intriga será ver como irá crescer a mulher (esse ser absolutamente enigmático e incrível) mais nova cá de casa... Apesar de eu ter uma irmã, temos apenas 4 anos de diferença pelo que a determinada altura do nosso crescimento ou eu era demasiado parvo para ela ou ela era demasiado criança para mim. O habitual no relacionamento entre rapazes e raparigas.

 

Não pensem que ao dizer isto que me sinto velho, pelo contrário, ainda existe em mim algo de invencível. Mas aquela energia que habita diariamente a minha casa, fascina-me, faz-me sentir mais cansado é certo, mas inspirado!


Lisboa, 2 de Outubro de 2014

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

AMIGOS/AMIGAS

Essa entidade que é quase família, por vezes é mesmo família.

 

São irmãos/irmãs que nunca tivemos, são nossos confidentes, em quem nos confiam os seus segredos, ansiedades, medos...Estão sempre lá!!

 

E quem tem amigos assim é um sortudo! Num mundo em que cada vez mais “falamos” por chat, por sms, pelas redes sociais, torna-se mais raro ter  grandes amigos! Aqueles que nunca falham, que estão sempre por perto!

 

Ainda há pouco tempo estava a sair do Aquashow no Algarve e reparei em 3 rapazes “agarrados” aos seus telemóveis...Por piada perguntei “vocês são amigos?” e a resposta foi “Sim”... Seria o cúmulo estarem os 3 a comentar o mesmo post no facebook....o que não me parece que hoje em dia não é descabido de todo.

 

Cresci e brinquei muito na rua, onde as amizades são mais fáceis de acontecer, futebol de rua, escondidas, bate pé (quem sabe o que é o bate pé sabe o que estou a falar....quem não sabe pergunte ao pai ou mãe), jogo do lenço, jogo do segredo, entre outros.

 

Meu Deus já tenho saudades!! Vivíamos felizes sem todos os gadgets que existe hoje em dia, sem televisão a cores, apenas com 2 canais, em que a RTP 2 só começava à tarde com um programa chamado “Follow Me” - https://www.youtube.com/watch?v=PGiNjI1j2P4 - e que era nem mais nem menos que um curso de inglês...Talvez venha daí a minha facilidade em aprender inglês e nunca ter estudado para um teste de inglês durante os 6 anos que tive essa disciplina na escola.

 

Com isto tudo não quero dizer que irei privar os meus filhos de se divertir com uma playstation ou afins...Desejo é que eles possam ter o melhor de cada mundo! Só assim poderão ter uma infância tão ou mais feliz como eu tive o privilégio de viver.

 

As meninas necessitam de ter as suas amigas. Elas são parte fundamental do seu crescimento emocional que os rapazes não conseguem dar em fase mais precoce do crescimento. Porque são parvos, chatos, só pensam em futebol e carros. Hoje em dia talvez o futebol se mantenha e os carros sejam substituídos por Invizimals, Skylanders, etc...

 

Vou adorar assistir ao crescimento da minha princesa com as suas amigas, segredando no quarto, mais tarde indo às compras com a mala no braço, talvez ouvindo piropos (se os rapazes não estiverem agarrados a um post facebookiano), chamando-lhes de parvos mas com o ego em “alta”.

 

Quantos amigos de infância irão os nossos filhos ter até à idade adulta? Se os pais não alimentarem essas amizades, irá perder-se em fim de semana que “como choveu tivemos de ficar em casa (com os gadgets)”.

 

Este domingo que passou estava no INATEL e encontrei um grande amigo de infância, o José Maria Vieira Mendes, grande escritor de peças de teatro com um futuro enorme pela frente – se quiserem ver as suas peças, podem sair de casa, mesmo num dia de chuva e ir ao teatro Praga (www.teatropraga.com) ou qualquer outro teatro ou actividade...

 

Quero dizer com isto que sem uma infância feliz e intensa, provavelmente não iria reconhecer o Zé Maria ou qualquer outro amigo/a de infância. E olhem que eu sei o nome de todos os meus colegas de primária, sem excepção.... O porquê fica para outra crónica.

 

Não quero de todo dizer que só há amizades desde esse tempo.....A amizade é algo que se constrói com anos e anos de presença...Tenho a sorte e o privilégio de ter grandes amigos, minha família, os confidentes, que estão sempre lá!

 

Ontem o meu cunhado fez anos e todos (reforço o “todos”) os seus amigos de juventude estavam lá para brindar!

 

Por isso, e como a minha vida pessoal (mulher enóloga) e profissional (FitaPreta Vinhos e Maçanita Vinhos) envolve esse néctar, volto a erguer o copo e desta vez brindo à verdadeira amizade!

 

Amigos! Amigas! Este brinde é para vocês!!! Adoro-vos!!


Lisboa, 24 de Setembro de 2014

 

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

DESCULPA

É das palavras mais fáceis de dizer! Porque pode remediar o que fizemos de errado. Porque crescemos a ouvir “Pede desculpa ao teu irmão!” ou “Estou à espera do teu pedido de desculpas!”

 

Ou seja, ainda antes de perceber o que é pedir desculpa já somos “obrigados” a fazê-lo...

 

Os meus filhos ainda não entenderam totalmente o verdadeiro significado de tão forte palavra. Por isso ainda ouço, quando se magoam um ao outro, um “des-------lpa” balbuciado entre os dentes e com ar de zangado.

 

Como fazer com que eles entendam?

 

O tempo e o crescimento emocional ajuda, mas creio ser importante lhes dar os “inputs” constantemente! Senão será mais difícil no futuro e em adulto o “desculpa” torna-se banal....

 

Por vezes, quando fazemos “besteira da grossa” como dizem os nossos irmãos brasileiros, temos tendência para pedir de imediato desculpa. Só que o que acontecia quando éramos pequenos já não funciona assim tão facilmente...

 

Passo a explicar: Em pequenos, um “desculpa” em conjunto com um abraço ou um beijo servia para resolver o problema.

 

Quando crescemos essa palavra, em alguns casos, já não é suficiente, temos de fazer mais, ser mais crescidos, aceitar o erro e tentar que não volte a acontecer...Ainda estamos a crescer! Como homem, como mulher, como ser humano. Quem diz que já não tem idade para aprender, dificilmente poderá remediar os erros e os seus “desculpa” de nada servem.

 

É importante fazer algo mais! Conquistar novamente a confiança e o respeito de quem se traiu. E isso por vezes é duro, muito duro! 

 

A minha mulher uma vez disse-me “ainda está para nascer a mulher que não gostará de ser reconquistada”. E eu acredito nela!

 

Acredito que além de gostarem de ser reconquistadas, gostam de ser conquistadas! E nós também! Todos os dias! Porque a vida a dois não se resume a um “SIM” no dia do casamento. É no dia-a-dia que uma relação se baseia e o somatório desses dias traz-nos a FELICIDADE!!

 

As mulheres têm essa sensibilidade de aceitar uma reconquista, de aceitar o “desculpa”, de seguir em frente, não esquecendo obviamente o que aconteceu. Mas a sua capacidade de voltar a amar é, quase, infinita.

 

Noutros tempos, e sei de histórias da minha avó e bisavó, reais, o marido traia a mulher.. A mulher, na maioria das vezes perdoava as “escapadelas” e a vida corria normalmente. E a minha avó e bisavó, perdoando, foram felizes até ao fim das suas vidas!!

 

Hoje não será propriamente assim mas acredito que no amor tudo é possível! 

 

Perdoar, amar, conquistar, reconquistar e até pedir desculpa!!!


Lisboa, 17 de Setembro de 2014

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

(RE)COMEÇAR

Durante a nossa vida, durante um simples ano da nossa vida há vários (re)começos.

 

Definição de recomeçar – reiniciar

 

Reiniciar, ou iniciar, como acharem melhor. E temos vários exemplos ao longo do ano, ao longo da vida...

 

Senão vejamos...

 

No aniversário sentimos que algo novo vai acontecer! É vulgar dizer “venham mais x anos!” ou “que para o ano estejamos cá todos de novo!”, porque queremos ser eternos, porque queremos viver e reviver a vida! Formulamos desejos, sonhos.

 

No ano novo, sentimos que algo novo pode acontecer, queremos aprender com os erros e sermos melhores no ano seguinte...”Felicidades”, “Bom Ano”, “Próspero Ano Novo” dizemos com frequência. Nesse dia sentimos que vamos verdadeiramente (re)começar! 

 

Nesse dia as moedas acabaram! Temos de inserir mais! Ou então “Game Over. Insert Coins” como dizem as máquinas dos salões de jogos. 

Fazendo um parênteses aqui....

Será que ainda existem esses salões? Confesso que tenho saudades desses tempos em que, com um grande amigo meu, e com 50 escudos, começávamos (aqui não recomeçávamos) e terminávamos o jogo sem ter de ler essa frase fatídica de “Game Over”.

 

O casamento é verdadeiramente um COMEÇO. Para outros um recomeço (2º, 3º casamento e por aí fora). Escrevo assim com “C” maiúsculo. Como referi noutra crónica, o casamento é um COMEÇO, mas é ao mesmo tempo uma das maiores provas de vida que temos pela frente. 

 

É maravilhoso mas exigente, é alegria e tristeza, é angústia e orgulho, é tanta coisa! É ter filhos! Educá-los, dar-lhes as “chaves” certas para a vida, ou que pelo menos achamos que são as chaves certas!

 

E chego ao ponto que me deu as luzes para esta começar a escrever esta crónica....

 

O PRIMEIRO DIA DE AULAS!

 

O (re)começar de um longo caminho que temos pela frente, com tudo aquilo que a vida nos pode dar.. Alegria, felicidade, angustia, frustração, tanta coisa....

 

Ainda hoje o meu filho do meio, ou como lhe chamava antes da filhota nascer “o irmão mais novo do meu filho mais velho” chorou quando o fui deixar na escola, colou-se a mim como uma lapa. 

Confesso que não sou pai de ficar ali até lhe passar a birra. Despeço-me calmamente com um beijo e um “até logo”.

Ao final do dia perguntei-lhe: “porque choraste quando me vim embora da escola?” ao que ele respondeu “porque queria que o pai ficasse!! Porque ia ter saudades do pai!”.

 

Respondi-lhe: “Eu gostaria muito de ter ficado, mas não posso!”, e acrescentei “imagina agora que quem não queria sair da escola era o pai, e que vocês iam começar as actividade e o pai não queria sair. Chorava e berrava que não queria sair! O que me dizias?

Oh! Dizia que o pai tinha que ir trabalhar!!

 

Acho que entendeu a “chave” e não terei de fazer esse espetáculo na escola.

 

Próximo dia 15 de Setembro, oficialmente (re)iniciam mais um ciclo da vida! É o primeiro dia de aulas! 

 

Malas prontas, material escolar lá dentro e boa sorte!!!!

 

Escrevi esta crónica no auditório do agrupamento escolar dos meus filhos, enquanto esperava pela apresentação do ano lectivo de 2014/2015. A escola é sempre uma excelente inspiração.


Lisboa, 14 de Setembro de 2014

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

SAPATOS, SAPATOS E MAIS SAPATOS

Estive desinspirado a semana toda (se é que existe inspiração de todo) até hoje...

A minha filhota tem uma otite e tive de ficar com ela em casa... Ao inicio nada tem a ver com o título mas rapidamente irão perceber a ligação...

 

O que acho impressionante e fascinante numa menina – tenho 2 rapazes mais velhos, por isso toda esta feminilidade em casa é impressionante e fascinante – é que desde pequena que gosta de levar a mala dela pendurada no braço, mais precisamente na parte interior do braço, entre o braço e o antebraço, já começou a querer colocar alguns objectos dentro da tal mala e levar à rua....

 

Adora passear na rua com um mini-carrinho de bebé e com a “Maria” (cá em casa foi o nome que ela deu ao Nenuco). Hoje cozinhou e deu a “papa” à Maria, vestiu-lhe o pijama, perguntou pela chupeta dela e ainda quis dar-lhe um pouco de leite antes de se deitar.....Para quem, ainda, não tem filhas meninas, devem desejar ter uma!!! É maravilhoso!!

 

A sensibilidade e visão do mundo que a rodeia é completamente diferente dos rapazes, apesar de ela, por uma osmose de irmandade, querer imitar o que os rapazes fazem, i.e trepar tudo! Saltar seja de onde for, chutar à bola....

 

Mas são diferentes! Tão diferentes! Um verdadeiro encanto!!

 

E hoje, em casa, por diversas vezes quis calçar-me, queria que a calçasse. Dizia-lhe que “filhota o pai não quer calçar-se! Quando formos à rua pode ser!” Mas não desistiu até me calçar os chinelos (menos mau) e calçar os seus sapatinhos azuis....

 

E foi essa a “inspiração” que me faltava para a minha crónica de hoje! Os sapatos!

Ou melhor ainda os “papos” como ela lhe chama e me pede para calçar todos os dias.

 

Coincidência ou não assisti a uma reportagem na televisão sobre uma tal Feira Internacional do Calçado em Milão que este ano teve uma comitiva recorde de 86 produtores e em que referia que o sector em Portugal está em crescimento! Há inclusivamente alguns quadros com falta de formação.

 

São bons sinais para a economia portuguesa mas é acima de tudo uma excelente noticia para a mulher! Amante de “papos” ou sapatos como quiserem.  Não há mulher que não pare numa montra de uma sapataria, e se apaixone por uns sapatos, altos, rasos, sandálias, botas de cano alto, baixo, para todos os gostos!! Um armário de mulher em casa é com certeza um armário feliz!!

 

Os homens agradecem tão grande panóplia mas não tanto o tempo que demoram a escolher...

 

E foi assim que, como pai a tempo inteiro, inspirei-me numa menina linda para uma crónica que achava que não teria tema....

 

Obrigado filhota!!!


Lisboa, 3 de Setembro de 2014

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

A SOGRA

Sogra! Chamamos em Portugal!

Mother-in-law (Mãe em lei)! É assim que chamam os ingleses e alemães

Belle-Mère (Bela Mãe)! Chamam os franceses!

 

Sogra...

É um nome feio e infelizmente muitas vezes associado a algo negativo, tal são as anedotas, músicas.

 

Lingua-da-sogra....

Achava que era mais uma palavra negativa sobre a sogra..

Pesquisei algo sobre esse bolo enrolado que adoro comer. 

O que encontrei foi o seguinte:

substantivo feminino

1. Folha delgada de pasta feita com farinha, açúcar e canela, tostada e enrolada em forma de canudo.

2. Barquilho.

Ou seja, nada negativo! Se calhar na gíria popular tem algum significado negativo.

E não tem de ser! E não é!!

 

Eu não me posso queixar! Tenho a sorte de ter 2 Belle-Mère! Sim leram bem! 2! A mãe da minha mulher, quem chamo de Mãe Joana e a madrasta (outro nome simplesmente horroroso!!) que também são avós dos meus filhos. Sim os meus filhos têm 3 avós!

 

Sei que não é fácil quando iniciamos uma família, e a Belle-Mère faz parte, tal como fazem parte os outros membros da outra família, sogro, irmãos, tios, primos e amigos chegados da família.

 

Faz tudo parte de um processo de adaptação, que não é fácil mas que se todos ajudarmos, seremos uma família mais feliz!

Há coisa pior que família que não se fala?

 

Se não tivermos capacidade de encaixe para uma mudança tão brusca na vida, 

 

Passei por esse processo. De inicio é tudo fácil, mal nos conhecemos e o encanto inicial perdura algum tempo. E depois surgem as primeiras dificuldades em aceitar as opiniões, à presença o que é perfeitamente normal! O ser humano é orgulhoso por natureza e “dar o braço a torcer” não é fácil.

 

No meu caso, fui mais eu que tive dificuldade em adaptar-me ao aumento da família. E note-se que quase “caí de paraquedas” numa família fantástica. Mas aos poucos fui conhecendo-os e hoje creio que todos me adoram! E eu adoro-os a todos! Sem excepção!

Esse período de adaptação passou e hoje posso afirmar que tenho uma família linda! A minha de sangue e com quem casei!

 

E digo sem medo que casei com uma família fabulosa!! Até fazem vinhos que é uma das minhas grandes paixões! Se ficaram curiosos podem visitar os nossos sites:

www.macanita.com

www.fitapreta.com

www.sexywines.pt

Provem e não se vão arrepender!

 

Os franceses é que estão certos! São Belas Mães!

 

E com um copo de um bom vinho faço um brinde à minha Linda Mãe, às minhas  Belles Mères e a todas as Mães e Belles Mères!!


Lisboa, 27 de Agosto de 2014